Vacinas Contra SRAG: Quem deve se proteger agora
Atualizado em 12 de setembro de 2026, com base no Boletim InfoGripe da Fiocruz referente à Semana Epidemiológica 35.
Das 27 capitais brasileiras, apenas duas ainda aparecem no boletim mais recente da Fiocruz com incidência elevada de SRAG é sinal de crescimento. Uma delas é Aracaju. A outra é Florianópolis.
E aqui o aumento tem endereço: está concentrado nas crianças menores de 2 anos.
Se você mora na Grande Florianópolis e vinha com a impressão de que a temporada respiratória já tinha passado, essa é a parte que vale saber. Em boa parte do país ela passou mesmo. Aqui, ainda não.
O que mudou desde o começo do ano
Quem acompanhou o noticiário em março viu uma história e quem olha os números agora vê outra. Vale entender por quê, porque isso muda o que faz sentido fazer.
No acumulado de 2026, o Brasil registrou 147.868 notificações de SRAG, das quais 53,9% tiveram algum vírus identificado em laboratório. Entre esses casos positivos do ano, a distribuição ficou assim:
| Vírus | % dos casos positivos em 2026 | % nas últimas 4 semanas |
| VSR (vírus sincicial respiratório) | 41,4% | 27,1% |
| Rinovírus | 31,0% | 48,4% |
| Influenza A | 17,2% | 3,2% |
| Influenza B | 5,5% | 6,6% |
| SARS-CoV-2 (Covid-19) | 3,8% | 2,4% |
Compare as duas colunas e a virada aparece sozinha.
O VSR dominou o ano inteiro e foi o que encheu as enfermarias pediátricas no outono e no inverno. Agora ele está em queda, inclusive aqui em Santa Catarina, embora ainda em patamar um pouco acima do esperado para setembro. A influenza A, que em março era protagonista, praticamente saiu de cena: caiu para 3,2% dos positivos nas últimas quatro semanas. E quem ocupou o espaço vago foi o rinovírus, que hoje responde por quase metade dos casos com vírus identificado.
Há ainda um convidado novo na conta. O metapneumovírus passou a impulsionar internações em toda a Região Sul, e ele quase nunca aparece em conversa de consultório porque a maioria das pessoas nunca ouviu falar dele.

A parte incômoda: boa parte do que interna hoje não tem vacina
Este é o ponto que quase nenhum material sobre SRAG assume com clareza.
O rinovírus, que responde por quase metade das internações recentes com vírus identificado, não tem vacina. Não é questão de estar em fase de aprovação ou de faltar chegar ao Brasil. Existem centenas de tipos dele circulando ao mesmo tempo, e isso torna uma vacina única um problema técnico difícil de resolver. O metapneumovírus, na mesma situação, também não tem imunizante disponível.
Ou seja: não dá para prometer que a vacinação tira alguém da estatística de SRAG. Seria desonesto e você descobriria isso sozinho na primeira busca.
O que dá para dizer com tranquilidade é outra coisa. Justamente porque uma parte do risco não tem como ser barrada, faz mais sentido fechar bem as portas que têm fechadura. Quando alguém chega ao pronto-socorro com quadro respiratório, não existe uma disputa entre os vírus: o pulmão que já está inflamado por um rinovírus lida muito pior com uma influenza somada em cima, e a pneumonia bacteriana costuma entrar exatamente nessa brecha.
Reduzir o número de portas abertas é uma decisão razoável mesmo sabendo que não dá para fechar todas.
O que dá para fechar
Quatro frentes, e cada uma protege de uma coisa diferente.
Influenza (gripe)
A dose deste ano cobre as cepas selecionadas para 2026, e a do ano passado não substitui a de agora. A influenza A perdeu força no país, mas a influenza B segue subindo em alguns estados e ainda aparece nos casos graves. Vale checar se a dose de 2026 já foi tomada.
A proteção leva de duas a quatro semanas para se estabelecer depois da aplicação.
Covid-19
A incidência de SRAG por Covid está baixa em todas as faixas etárias neste momento, e é honesto dizer isso. O reforço periódico continua indicado, principalmente para idosos e pessoas com imunidade comprometida, mas hoje ele não é a urgência do calendário.
VSR
Aqui houve mudança relevante no último ano, e muita informação circulando ainda está desatualizada.
Para gestantes, a vacinação a partir da 28ª semana transfere proteção ao bebê. Para bebês, existe também um anticorpo aplicado diretamente na criança, que não é vacina e funciona por outra lógica. Já explicamos essa diferença em detalhe no artigo sobre qual proteção contra o VSR é indicada para cada fase da vida.
Para adultos, a indicação aprovada no Brasil cobre pessoas a partir dos 18 anos desde abril de 2026, e não mais apenas os 60+. Na prática, ela faz sentido para quem convive com doença cardiovascular, DPOC, asma moderada a grave, diabetes, obesidade, doença hepática ou neurológica crônica, ou imunidade comprometida. A partir dos 60 anos, vale para quem tem risco de descompensar uma doença de base. A partir dos 70, a SBIm recomenda como rotina, independentemente de fator de risco. É dose única, aplicada em qualquer época do ano.
Pneumocócica
Essa entra por um motivo diferente das anteriores. Ela não previne infecção viral nenhuma; ela cobre a bactéria que costuma se aproveitar do pulmão já comprometido. É o que transforma uma semana ruim em uma internação longa, e é onde a proteção aparece justamente nos perfis em que o rinovírus não pode ser barrado.
Quem deve se vacinar, por perfil
Bebês e crianças até 5 anos. É a faixa com maior incidência de SRAG no país, e em Florianópolis é onde o aumento atual está concentrado. Como rinovírus e metapneumovírus não têm imunizante, a estratégia é cobrir o que sobra: influenza a partir dos 6 meses (duas doses no primeiro ano), esquema pneumocócico completo, Covid conforme orientação, e a proteção contra VSR pela via que se aplicar ao caso. Se o assunto for bebê, o artigo sobre a proteção contra a bronquiolite entra em mais detalhe.
Gestantes. Influenza em qualquer trimestre, dTpa entre 20 e 36 semanas, VSR a partir da 28ª semana, e Covid conforme orientação médica. A lógica é dupla: protege a gestante e entrega anticorpos ao bebê antes que ele possa receber a própria proteção.
Adultos de 18 a 59 anos. Sem condição de risco, não há indicação de rotina para VSR, e não faz sentido empurrar isso. Com condição de risco, a conversa muda e o leque se abre.
A partir dos 60 anos. É onde os quadros mais graves se concentram, segundo o próprio InfoGripe. Influenza anual, reforço de Covid em dia, VSR conforme o perfil e a partir dos 70 como rotina, e esquema pneumocócico completo.
Pessoas com comorbidades, em qualquer idade. Diabetes, doença cardíaca, asma, DPOC, doença renal e imunossupressão mudam bastante o cálculo de risco. Aqui vale uma revisão inteira do calendário, não uma dose avulsa.
O melhor momento não é o do susto
A frase que a gente mais repete no balcão nesta época do ano é uma só: a proteção leva de duas a quatro semanas para se estabelecer.
Isso quer dizer que quem procura a clínica no dia em que a manchete sai, ou no dia em que alguém da casa já está internado, chega tarde para aquele episódio específico. Não é um problema de disposição, é de calendário biológico.
A boa notícia é que a maior parte das decisões desse artigo não depende de sazonalidade. A dose de VSR do adulto pode ser feita em qualquer época. O esquema pneumocócico também. A gripe é a única que pede janela, e ela já está aberta.
Se o que trava é a agulha, não a dúvida
Tem uma parte dessa conversa que quase nenhum texto sobre vacina menciona. Muita gente entende tudo, concorda com tudo, organiza a lista inteira e mesmo assim adia. Não por dúvida, por medo da picada.
Um idoso que já teve experiências ruins, uma gestante mais sensível, alguém que simplesmente nunca se deu bem com agulha. Isso é humano e a gente leva a sério. A aplicação aqui é feita com calma, explicando cada passo, respeitando o tempo de cada pessoa e cuidando para que o desconforto seja o menor possível. A proteção só existe se a vacina realmente acontecer, e tornar esse momento leve faz parte do trabalho.
Checklist rápido
| Proteção | Vale verificar |
| Gripe | A dose é de 2026? A do ano passado não conta |
| VSR adulto | Tem 70 anos ou mais, ou alguma condição de risco a partir dos 18? |
| VSR gestação / bebê | Gravidez a partir de 28 semanas, ou bebê no primeiro ano |
| Pneumocócica | Idoso, criança ou comorbidade: esquema completo ou só uma dose solta? |
| Covid-19 | Último reforço foi quando? |
Qual dessas portas ainda está aberta no seu caso
Se ficou a sensação de que são muitas informações para cruzar, é porque são mesmo. A resposta é diferente para uma gestante de 30 semanas, para um adulto de 45 anos com asma e para uma senhora de 72.
É exatamente isso que a nossa equipe olha: sua idade, seu histórico, se há gestação, se o bebê nasceu prematuro, e o que o calendário da SBIm recomenda para o seu momento. Tiramos todas as dúvidas, inclusive sobre valores.
Fale com a Imunizar Vacinas pelo WhatsApp (48) 99108-1081. Sem pressa, com toda a atenção que você merece.
Se preferir olhar com calma antes, o catálogo completo de vacinas da clínica está aqui. E se a dúvida ainda é sobre o vocabulário, vale ler a diferença entre SRAG e VSR, que são duas coisas que as pessoas confundem o tempo todo.
Última revisão deste conteúdo: 12 de setembro de 2026. Os dados do InfoGripe mudam toda semana. Revisamos este texto a cada virada relevante do cenário e, no mínimo, a cada temporada respiratória.
Referências
- Fiocruz, Boletim InfoGripe, Semana Epidemiológica 35 de 2026, divulgado em 10/09/2026: agencia.fiocruz.br
- Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), vacinas VSR: familia.sbim.org.br
- Anvisa, ampliação de uso do imunizante contra VSR para maiores de 18 anos (abril de 2026): gov.br/anvisa
- Ministério da Saúde, nirsevimabe no SUS (fevereiro de 2026): gov.br/saude