Vacina contra bronquiolite: como proteger seu bebê antes mesmo de ele nascer
Quem já viu um bebê com bronquiolite sabe como a cena é angustiante. O chiado, a dificuldade para respirar, o pequeno que luta para puxar o ar. O que muitas famílias ainda não sabem é que existe proteção disponível — e que ela pode começar ainda na gestação.
O que é o vírus que causa a bronquiolite
A bronquiolite é uma infecção respiratória que inflama os brônquios menores dos pulmões. Em adultos saudáveis, o vírus que costuma causá-la passa quase despercebido — parece um resfriado comum. Em bebês, especialmente nos primeiros meses de vida, esse mesmo vírus pode levar a internações, dificuldade respiratória grave e, em casos mais sérios, à necessidade de suporte com oxigênio.
O causador da maioria dos casos é o VSR — Vírus Sincicial Respiratório. Ele é responsável por cerca de 80% dos casos de bronquiolite em crianças pequenas. No Brasil, o período de maior circulação vai de fevereiro a agosto, com pico geralmente entre abril e junho, mas isso pode variar por região.
Em 2025, foram registradas mais de 36 mil hospitalizações de crianças menores de dois anos causadas pelo VSR — 82,5% de todos os casos hospitalizados por esse vírus no período. É um número alto para uma doença que, em grande parte, pode ser prevenida.
Por que os bebês são mais vulneráveis: Nos primeiros meses de vida, o sistema imunológico ainda está se desenvolvendo. Bebês prematuros, em especial, têm pulmões menos maduros e reserva respiratória menor — o que transforma uma infecção que seria leve num adulto em algo bem mais grave para eles.
Existe proteção contra a bronquiolite — e ela veio com novidades
Sim, existe. E o cenário mudou bastante nos últimos dois anos. Hoje temos duas formas principais de proteção, com lógicas diferentes:
1. A vacina para a gestante (Abrysvo)
A vacina Abrysvo é aplicada na gestante — geralmente entre a 28ª e a 36ª semana de gestação. A ideia é que o corpo da mãe produza anticorpos contra o VSR, e esses anticorpos atravessem a placenta, chegando ao bebê ainda antes do nascimento.
Essa proteção passiva cobre os primeiros meses de vida — justamente o período mais crítico, quando o bebê ainda é muito pequeno para receber qualquer outro tipo de imunização. A eficácia é maior nos primeiros três a quatro meses de vida.
Em gestações seguintes, a vacina precisa ser repetida. E ela pode ser aplicada no mesmo dia que outras vacinas recomendadas para a gestante, como a da gripe, COVID-19 e dTpa — desde que em locais diferentes do corpo.
2. O nirsevimabe — para o bebê
Aqui é importante esclarecer algo que gera bastante dúvida: o nirsevimabe não é uma vacina. Ele é um anticorpo monoclonal — ou seja, um anticorpo já pronto, produzido em laboratório, que é entregue diretamente ao bebê por injeção. Ele não estimula o sistema imunológico a produzir nada; ele já chega “funcionando” no organismo da criança.
Isso tem uma vantagem importante: a proteção é imediata. Não há tempo de espera para o corpo responder. Para recém-nascidos prematuros — que têm o sistema imunológico ainda mais imaturo — essa proteção direta faz toda a diferença.
Uma dose. Proteção por toda a temporada. O nirsevimabe é aplicado em dose única — uma grande diferença em relação ao palivizumabe, anticorpo mais antigo que exigia até cinco aplicações mensais durante a sazonalidade.
Quem deve receber cada tipo de proteção — conforme o calendário da SBIm
O calendário da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) orienta a proteção contra o VSR da seguinte forma:
Para gestantes
- A vacina Abrysvo é recomendada entre a 28ª e a 36ª semana de gestação
- Deve ser repetida em cada gestação
- Pode ser aplicada junto às demais vacinas da gestação (em locais distintos)
Para bebês e crianças — nirsevimabe
- Do nascimento até os 8 meses: indicado para todos os recém-nascidos e lactentes, especialmente se a mãe não se vacinou durante a gestação — preferencialmente antes ou durante a primeira temporada do VSR
- Prematuros (nascidos antes de 37 semanas): indicação ao longo de todo o ano, independentemente da vacinação materna
- Dos 8 aos 23 meses com condições de risco: indicado para crianças com cardiopatia congênita, fibrose cística, doenças neuromusculares, síndrome de Down, imunocomprometimento, displasia broncopulmonar ou anomalias congênitas das vias aéreas
Se a mãe se vacinou, o bebê ainda precisa do nirsevimabe? Em muitos casos, não — a proteção via placenta pode ser suficiente. Mas existem situações específicas em que o pediatra pode recomendar o nirsevimabe mesmo assim: bebês prematuros, situações em que a vacina foi tomada muito perto do parto (com menos tempo para os anticorpos se transferirem) ou quando há condição de risco da criança. Essa decisão deve ser tomada com o pediatra, olhando para o caso de cada bebê.
Como é a aplicação na prática
O nirsevimabe é aplicado por injeção intramuscular — assim como as vacinas convencionais. A dose depende do peso do bebê. Pode ser aplicado no mesmo dia que outras vacinas do calendário, sem interferência na eficácia.
Sabemos que a palavra “injeção” já gera um certo aperto no coração de muitos pais — especialmente quando o filho é pequenino. Na Imunizar, cada aplicação em bebê é feita com calma, com a presença da família, e com toda a atenção que um momento assim merece. Não existe pressa. Existe cuidado.
O ideal é que o nirsevimabe seja aplicado antes da entrada do bebê na primeira temporada de VSR — ou seja, antes de fevereiro, se possível. Para prematuros, a recomendação é que seja aplicado ainda na maternidade, antes da alta.
E se meu bebê já passou dos 8 meses e não tem nenhuma comorbidade?
Essa é uma situação que vale conversar com o pediatra. O calendário da SBIm indica que, para crianças acima de 8 meses sem condições de risco, o uso do nirsevimabe pode ser considerado dependendo da situação epidemiológica local e do risco individual avaliado pelo médico. Não existe uma resposta universal — existe avaliação individualizada.
O que podemos dizer com clareza é: se o bebê tem qualquer uma das condições de risco mencionadas acima, a proteção é formalmente indicada, independentemente da vacinação materna.
O que essa proteção não garante
Honestidade faz parte do nosso cuidado. Por isso, é importante ser claro:
- A vacina para a gestante protege o bebê principalmente nos primeiros meses — a eficácia vai diminuindo com o tempo
- O nirsevimabe protege por uma temporada — crianças em grupo de risco podem precisar de nova dose na segunda sazonalidade
- Nenhuma das duas opções elimina completamente o risco de infecção — mas reduz significativamente os casos graves e as hospitalizações
- Bebê vacinado ainda pode contrair VSR — a diferença é que, com proteção, a chance de evoluir para quadro grave cai muito
A temporada já começou — e o momento importa
O VSR circula com mais intensidade de fevereiro a agosto no Brasil. Mas “temporada” não significa que o vírus some no restante do ano — ele continua presente, só em menor volume. Para prematuros e bebês de risco, a proteção é recomendada ao longo de todo o ano.
Se você está gestando e ainda não conversou sobre a vacina contra o VSR, esse é um bom momento. Se o bebê já nasceu e você ainda não sabe se ele deve receber o nirsevimabe, vale levantar isso na próxima consulta com o pediatra — ou conversar com a nossa equipe antes disso.
Próximo passo
Seu bebê ainda não tem proteção contra o VSR?
Nossa equipe pode te ajudar a entender se o nirsevimabe ou a vacina para gestante faz sentido para o seu momento — com base no calendário da SBIm e no histórico do seu bebê. Sem pressa. Com toda a atenção que vocês merecem.