48991081081

Como consequência de mudanças fisiológicas próprias da gestação, grávidas apresentam maior morbimortalidade por doenças evitáveis. Suas imunidades alteradas podem dar respostas insatisfatórias às infecções. 

Além de proteger-se, uma gestante que toma vacinas corretas na época adequada gera efeitos positivos para o feto e futuro lactente, que é vulnerável. Isso ocorre pela passagem transplacentária de anticorpos da classe IgG, que leva à prevenção da transmissão de doenças da mãe para o bebê após o parto. Os anticorpos também são transmitidos pelo leite materno. 

A vacinação da mãe torna-se, portanto, uma importante medida de promoção da saúde infantil, afetando a incidência de várias doenças, como coqueluche, influenza e hepatite B. 

Idealmente, antes de engravidar, as mulheres devem atualizar seu calendário vacinal para evitar doenças cujas vacinas são proibidas durante a gravidez. 

Vacinas contraindicadas na gestação 

As vacinas Tríplice viral (rubéola, caxumba, sarampo), a Tetraviral (rubéola, caxumba, sarampo, varicela), Varicela (catapora), HPV (Human Papillomavirus) e dengue são contraindicadas em gestantes porque são vacinas de vírus vivos atenuados (exceto a do HPV) e apresentam risco teórico de contaminação do feto. Podem, porém, ser aplicadas no período puerperal e durante a amamentação.

Vacinas indicadas em situações especiais na gestação

A vacina da febre amarela só deve ser aplicada quando o risco da doença for maior que o risco potencial de vacinação.

As vacinas Hepatite A, Pneumocócica, Meningocócica conjugada ACWY e tipo B são inativadas e portanto não oferecem risco para o feto. Podem ser aplicadas em situação epidemiológica de risco ou quanto houver comorbidades associadas na gestação.

Vacinas recomendadas na gestação

São as vacinas Hepatite B, Influenza e Tríplice bacteriana acelular do tipo adulto.

Hepatite B 

A infecção pelo HBV (vírus da hepatite B) continua sendo um problema de saúde pública devido à alta transmissibilidade por via parenteral, sexual e vertical (perinatal e intrauterina). A via perinatal no momento do parto é uma das vias mais importantes de transmissão para os recém-nascidos. A associação da vacina hepatite B com imunoglobulina humana anti-hepatite B (IGHAHB) para crianças expostas, assim como a vacinação de gestantes, reduzem esse risco. 

Todas as gestantes devem ser submetidas, no primeiro trimestre da gestação ou no início do pré-natal, à investigação para infecção pelo HBV. A vacinação durante a gravidez promove a passagem transplacentária de anticorpos contra o vírus, protegendo o recém-nascido até que sua imunização após o nascimento ocorra de forma completa. 

Gestantes em qualquer faixa etária e idade gestacional, sem histórico de vacinação ou esquema vacinal incompleto, devem tomar três doses da vacina hepatite B com intervalos de 0, 1 e 6 meses. Se o esquema não for completado durante a gestação, deverá ser concluído após o parto.

Influenza 

A influenza em gestantes leva a altas taxas de hospitalização e complicações pela gripe. Há também risco de aborto, morte fetal e neonatal, prematuridade e baixo peso ao nascer. A vacina influenza é recomendada em dose única anual, nos meses de sazonalidade do vírus, em qualquer trimestre da gravidez. A vacinação materna também leva à redução da incidência de doenças respiratórias nos lactentes. 

Vacina Tríplice bacteriana acelular do tipo adulto dTpa ou dTpa-VIP (Difteria, Tétano e Coqueluche) 

Nas últimas décadas houve aumento da incidência de coqueluche principalmente nos três primeiros meses de vida. Isso ocorreu devido à baixa cobertura vacinal. O contágio nos bebês ocorre através de contatos domiciliares. 

A vacina deve ser administrada para todas as gestantes a partir de 20 semanas de idade gestacional e repetidas em todas as gestações. Caso não seja aplicada antes do parto, deve ser feita até 45 dias do puerpério. 

Com a vacina dTpa ocorre também a proteção contra o tétano neonatal e a difteria por passagem transplacentária de anticorpos. 

A vacinação varia de acordo com a gestante:

– Gestante não vacinada previamente deve receber 3 doses da vacina com intervalo de 60 dias. Duas doses devem ser de dT (dupla adulto) em qualquer momento da gestação e uma dose de dTpa a partir de 20 semanas.

– Gestante previamente vacinada com pelo menos 3 doses da vacina devem receber uma dose de dTpa.

– Gestante com vacinação incompleta que recebeu uma dose de vacina necessita uma dose de dT e uma de dTpa.

– Gestante com vacinação incompleta que recebeu duas doses de vacina necessita apenas de uma dose de dTpa.

Ao garantir um pré-natal adequado e evitar patologias graves, a vacinação correta das mães representa uma melhoria clara da saúde materna e infantil.