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Em meio ao avanço da covid-19, o Brasil ainda precisa lidar com o aumento do número de casos de outras doenças infecciosas, como a gripe, que tem seu pico no inverno, e também com surtos de sarampo.

Por isso, é essencial manter a vacinação em dia, mesmo durante a pandemia, como alerta uma campanha feita pela SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), em parceria com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).

A iniciativa traz uma cartilha que fornece aos profissionais de saúde e à população orientações para que a vacinação de rotina continue e seja realizada com segurança neste novo contexto.

As autoridades em saúde ressaltam que interromper a vacinação rotineira, em especial para o grupo de risco de cada doença infecciosa, pode levar a retrocessos na conquista em relação ao controle de doenças preveníveis por meio de imunização.

“A nossa preocupação é muito grande, em especial, com as crianças pequenas, gestantes, pessoas com comorbidades e idosos, porque são grupos vulneráveis e têm mais predisposição a infecções”, destaca Juarez Cunha, presidente da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações).

Em relação às doenças infecciosas, a mais preocupante é o sarampo, pois surtos ocorrem no Brasil desde 2018. Até maio deste ano, o Distrito Federal e18 Estados registravam circulação ativa desse vírus: Pará, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Maranhão, Sergipe, Rondônia, Ceará, Mato Grosso do Sul e Tocantins,

Segundo boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, o Pará, por exemplo, tem 40,9% dos casos no país. O presidente da SBIm destaca que já foram registrados mais de 3.600 casos apenas no primeiro semestre no Brasil.

Onde há surto, é necessário haver a aplicação da chamada dose zero da tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), que é a dose aplicada em crianças de 6 a 11 meses. “O sarampo é mais grave que a covid-19 para crianças. Quanto mais novas, maior o risco. É uma doença transmitida muito facilmente e pode levar à morte”, alerta o médico.

“A gente sabe que os anticorpos maternos podem interferir nas respostas de vacinas [nessa faixa etária], inclusive a do sarampo, mas ao mesmo tempo os dados no Brasil mostram que, apesar do maior número de casos terem acontecido em jovens, a maior taxa de incidência [casos por 1000 habitantes] é em crianças”, acrescenta.

O especialista também chama a atenção para a poliomielite, que é endêmica em alguns países – ou seja, está presente permanentemente nesses lugares -, embora tenha sido eliminada no Brasil. “Se não houver cobertura vacinal acima de 95%, pode ter surtos, o que nos preocupa é exatamente isso”, destaca.

De acordo com ele, em 2019 o Brasil não atingiu a meta de cobertura em nenhuma das vacinas aplicadas na infância. Em relação à poliomielite, o alcance nacional foi de 82%. “Mas esse dado é uma média, a maioria vai estar abaixo”, pondera. “Existe uma falsa sensação de segurança porque os mais jovens não conhecem a doença”, completa.

Cunha acrescenta que há uma “onda de febre amarela” na região Sul, especialmente em Santa Catarina. A doença já é endêmica na região Norte e no Estado de São Paulo. “Essas são algumas das doenças que poderíamos ter um controle muito melhor com vacinas”, enfatiza.

Ele alerta que mesmo as doenças erradicadas no país podem voltar a circular se a população não for vacinada. “O termo erradicação, inclusive, não é adequado. A única doença erradicada é a varíola, porque o vírus não existe mais nem em laboratório”, explica.

Entre os cuidados recomendados para a população na hora de se vacinar estão:

  • escolher um local de vacinação próximo a sua casa
  • evitar o transporte público,
  • usar máscara ao sair, lembrando que ela é indicada para todas as pessoas que têm mais de 2 anos

Além disso, ao chegar ao serviço de saúde, é necessário manter uma distância mínima de 2 metros das outras pessoas e evitar tocar em superfícies. Se isso acontecer, é necessário higienizar as mãos logo em seguida com água e sabão ou álcool em gel 70%.

Quem manifestou sintomas gripais ou febre nos últimos 14 dias ou teve contato com alguém nessas condições deve adiar a vacinação e se manter isolado por esse mesmo período até buscar uma unidade de saúde.

A cartilha estabelece que cada autoridade de saúde deve traçar estratégias para manter a vacinação considerando o cenário de transmissão da covid-19 e a capacidade instalada da rede de saúde em cada região.

“Se há disponibilidade, o ideal é fazer atendimento em horário e local diferenciados, destinados só para a vacinação”, ressalta Cunha.

Se o risco de transmissão do coronavírus aumentar e o atendimento não puder ser oferecido com segurança nos serviços de saúde, a orientação é buscar locais alternativos, como a vacinação em domicílio, que é feita gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Alguns municípios usaram essa estratégia para vacinar idosos contra a gripe, como Bauru, no interior de São Paulo, e Fortaleza, capital do Ceará.

Cunha analisa que vacinar em casa é uma ótima estratégia desde que mantidas as boas práticas de vacinação e segurança. “Para serem eficazes, as vacinas têm que ser guardadas em temperaturas de 2ºC a 8ºC”, explica.

Além disso, a vacinação domiciliar pelo SUS esbarra no obstáculo da mão-de-obra disponível para isso. “O grande problema é o número reduzido de funcionários, que não conseguem atender essa demanda”, afirma.

Ele destaca que, para adultos, a vacinação por meio do sistema drive-thru é eficaz, mas as crianças devem ir, preferencialmente, ao posto de saúde. “Se torna inviável manter boas práticas de vacinação numa criança se ela está dentro de um carro”, pondera.

O especialista recomenda que devem ser aproveitadas a presença na unidade de saúde ou visita domiciliar para aplicar o maior número possível de vacinas naquele momento, levando em conta o intervalo recomendado entre elas e às doses necessárias.

A campanha nacional de vacinação contra a gripe vai até o dia 30 em todo o país. Têm direito à vacina apenas os grupos considerados mais vulneráveis pelo Ministério da Saúde como idosos, pessoas com deficiência, crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes, puérperas, professores e pessoas de 55 a 59 anos de idade.

Fonte: R7.com