As vacinas estão entre as principais conquistas da humanidade. Ao lado das melhorias sanitárias, no final do século XX estimou-se que elas foram responsáveis pelo aumento da expectativa de vida em 30 anos.

Os avanços na área de doenças imunopreveníveis foram eliminação da poliomielite (que, no entanto, permanece no Paquistão, Afeganistão e Nigéria), erradicação da varíola que ocasionava 400 mil óbitos por ano, eliminação da rubéola nas Américas e redução nas internações pela queda nos índices dessas doenças (exs: tétano neonatal, difteria, sarampo).

A vacinação contra o sarampo segundo a Organização Mundial de Saúde, OMS e a UNESCO, evitou no ano 2000, 30 a 40 milhões de casos no mundo e 770 mil óbitos.

A OMS estima que de 2 a 3 milhões de mortes sejam evitadas a cada ano pela vacinação e considera a imunização um dos investimentos na saúde que oferece o melhor custo x efetividade para as nações. Cada dólar gasto em imunização economiza outros 29 em tratamento.

A redução do número de casos de algumas doenças é inversamente proporcional ao aumento da cobertura vacinal. Quanto maior o número de pessoas vacinadas, menor é a circulação de vírus e bactérias numa determinada população.

Benefícios da atualização vacinal

Os benefícios da vacinação não se limitam às pessoas vacinadas, há também benefícios de Saúde Pública, pela imunidade de rebanho, ou seja, a proteção da comunidade próxima.

Quem decide não vacinar seus filhos sabe que o risco de eles não adquirirem determinada doença é pequeno, devido à imunidade coletiva proporcionada pela imunização da maioria das crianças. Com o passar dos anos havendo acúmulo de não vacinados podem ocorrer surtos e a volta de algumas doenças, como por exemplo o surto de SARAMPO que está ocorrendo na Europa. Atualmente, na Itália por exemplo ocorreram 1600 casos em 2017, sendo que 95% deste grupo não recebeu a vacina adequadamente.

Segundo Carla Domingues, Coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, PNI do Ministério da Saúde, MS, “ o ato de vacinar não é só um ato de você cuidar da sua saúde, mas de quem está em volta. Posso adoecer meu irmão mais novo, meu avô, que são pessoas que tem o sistema imune mais baixo “.

Para doenças de vacinação infantil obrigatória, o Brasil tem uma cobertura de 95%, o desafio agora é expandir para adolescentes e adultos.

Preocupações com os Antivacinacionistas

Em diversas partes do mundo existem grupos de pessoas antivacinacionistas. São considerados pela comunidade científica, como responsáveis pela volta de algumas doenças já erradicadas. Dificilmente se encontram trabalhos publicados na literatura por esses grupos, utilizando critérios objetivos de observação clínica sistematizada.

As principais causas dessa recusa são por motivos religiosos, filosóficos, medo de efeitos adversos, orientação médica de alguns especialistas.

Alguns grupos argumentam a superioridade da imunidade natural produzida pela própria doença, esquecendo o risco inerente à aquisição de meningite, sarampo, rubéola congênita, tétano ou coqueluche como exemplos.

Se discute também a sobrecarga de antígenos pelos atuais esquemas vacinais, alegando a incapacidade das crianças menores de responder com segurança a esses esquemas. Sabe-se que mais de 90% das crianças desenvolvem respostas adequadas a esses agentes principalmente com as vacinas conjugadas. A aplicação de 11 vacinas simultâneas utiliza 0,1% do sistema imune.

Outra preocupação é com o uso de timerosal. Na verdade, ele é adicionado somente em frascos multidoses para evitar contaminação bacteriana. Em 2007 o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, CDC, publicou um importante trabalho onde foram analisadas 1000 crianças. Não foram encontradas neste grupo alterações neurológicas, psicológicas ou de desenvolvimento atribuíveis ao timerosal.

A controvérsia de maior impacto foi em relação à possibilidade da vacina tríplice viral / VTV, causar AUTISMO. Essa associação foi publicada em 1998 por Wakefiel at al no Reino Unido.

Em 2010 foi provado que ele recebeu pagamentos de advogados em processos por compensação de danos vacinais e teve seu registro médico cassado.

Conclusão

Em resumo, podemos dizer que a Associação Médica Brasileira, AMB, tem posição consoante com os órgãos oficiais quanto às orientações do PNI / MS.

A conduta médica de contraindicar vacinas deve ser revista à luz de pesquisas científicas e responsabilidade profissional.
O Estatuto da Criança e do Adolescente, na lei 8009 de 13/07/90, estabelece que é obrigatória a vacinação de crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias.

Bibliografia
LEVI, Carlos Guido. Recusa de vacinas: causas e consequências. São Paulo, Segmento Farma, 2013.

BALLALAI, Isabella. BRAVO, Flávia, ORG IMUNIZAÇÕES- tudo o que você sempre quis saber.
Rio de Janeiro, RMCOM, terceira edição, versão atualizada, 2017

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